terça-feira, 23 de novembro de 2021

A Coach e o slouch

 


          Estávamos saindo da festa, como eu tinha bebido um pouco não ia voltar dirigindo, na verdade fui sem saber como voltaria. Um amigo do trabalho me ofereceu uma carona, pra mim e pra outra colega, a Mauricia, uma dessas New Coachs que fracassou em quase tudo na vida e após fazer dois dias de curso se julga apta para guiar pessoas no caminho do sucesso nas várias dimensões da existência.

          Como dizem por aí, Mauricia estava “fodida e mal paga”. Recém separada de um casamento frustrado, obrigada a voltar para a casa dos pais e agora Coach Quântica sem nunca ter sequer sentido o cheiro de um livro de Mecânica Quântica, Mauricia tinha uma paixão secreta por Junior, nosso caroneiro.

          Nos planos dela, e até eu assim imaginei, Junior me deixaria em casa e por último deixaria Maurícia, dessa forma poderiam desfrutar de todas as luxúrias possibilitadas pelo alcoolismo. Mauricia era um tanto chata, mas até eu me surpreendi quando Junior a deixou em casa primeiro. A cara de frustração dela foi impagável.

          No banco do carona eu tomava uma Heineken, mas com um rótulo diferente do original. Era um rótulo com tons brancos, mas o principal era o adocicado da cerveja, que fugia do amargor tradicional da Heineken. O sabor se assemelhava inclusive a uma Malzbier.

          Junior me deixou na casa dos meus pais e comentei com ele: “Putz, da hora essa Heineken, não tem aquele amargor desagradável”.

          Na mesma hora Junior tomou a long Neck da minha mão, tacou na parede e tal como um sommelier de cerveja comentou: “a espuma escorre bem, mas não tem slouche, o punch é fraco e não tem camadas de sabores. Mal estruturada”.

 

Saymon de Oliveira Justo  23-11-2021

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