Estávamos
saindo da festa, como eu tinha bebido um pouco não ia voltar dirigindo, na
verdade fui sem saber como voltaria. Um amigo do trabalho me ofereceu uma
carona, pra mim e pra outra colega, a Mauricia, uma dessas New Coachs que fracassou em quase tudo na vida e após fazer dois
dias de curso se julga apta para guiar pessoas no caminho do sucesso nas várias
dimensões da existência.
Como
dizem por aí, Mauricia estava “fodida e
mal paga”. Recém separada de um casamento frustrado, obrigada a voltar para
a casa dos pais e agora Coach Quântica
sem nunca ter sequer sentido o cheiro de um livro de Mecânica Quântica, Mauricia
tinha uma paixão secreta por Junior, nosso caroneiro.
Nos
planos dela, e até eu assim imaginei, Junior me deixaria em casa e por último
deixaria Maurícia, dessa forma poderiam desfrutar de todas as luxúrias possibilitadas
pelo alcoolismo. Mauricia era um tanto chata, mas até eu me surpreendi quando
Junior a deixou em casa primeiro. A cara de frustração dela foi impagável.
No
banco do carona eu tomava uma Heineken, mas com um rótulo diferente do original.
Era um rótulo com tons brancos, mas o principal era o adocicado da cerveja, que
fugia do amargor tradicional da Heineken. O sabor se assemelhava inclusive a
uma Malzbier.
Junior
me deixou na casa dos meus pais e comentei com ele: “Putz, da hora essa Heineken,
não tem aquele amargor desagradável”.
Na
mesma hora Junior tomou a long Neck da minha mão, tacou na parede e tal como um
sommelier de cerveja comentou: “a espuma escorre bem, mas não tem slouche, o punch é fraco e não tem camadas de sabores. Mal estruturada”.
Saymon
de Oliveira Justo 23-11-2021